Condenação da Igreja ao sionismo

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O Estado Judeu da Antigüidade, após a destruição do Templo e a dispersão do povo pelo Império Romano seguida pelas revoltas do ano 70 e do ano 135, foi destruído por Deus, como punição dos pecados do povo hebreu. Desta forma, para a Igreja só o Messias de Deus, no tempo de sua Segunda Vinda, poderá restabelecer o reino de Israel e dos judeus sobre sua terra [1].

Assim, a Igreja contesta, por razões teológicas, a idéia de um Estado Judeu, tal qual foi constituído segundo as modalidades de sua criação pelos sionistas, ou seja, pelos homens e não pela vontade de Deus. Isso explica porque São Pio X, desde 1904, declarava firmemente a Theodor Herzl [2], pai fundador da ideologia sionista: « Nós não poderemos impedir os judeus de irem a Jerusalém, mas não poderemos jamais os encorajar. O solo de Jerusalém não foi sempre sagrado, mas foi santificado pela vida de Jesus. Os Judeus não reconheceram Nosso Senhor e não poderemos então reconhecer o povo judeu. Non possumus. » (São Pio X, 25 de janeiro de 1904, Cidade do Vaticano).

Essa posição foi em seguida repetida e reafirmada por Bento XV, que sublinhou de modo extremamente explícito: « os judeus não têm qualquer direito à soberania sobre a Terra Santa. » (Nota na margem da declaração de Belfort 1917).

Até em uma alocução do Consistório em 10 de março de 1919, Bento XV exprimiu claramente sua ansiedade sobre o assunto do plano que devia criar na Palestina uma situação privilegiada em favor dos judeus e « livrar » os monumentos cristãos dos não cristãos – em 13 de junho de 1921, ele se alarmava com o fato que « os judeus não venham a se encontrar na Palestina em posição de preponderância e de privilégio ». Mais tarde, ele insistiu alhures fortemente para que os direitos da Igreja Católica e de todas as igrejas cristãs na Palestina fossem escrupulosamente salvaguardados (13 de junho de 1921).
É nesse contexto que, em abril e maio de 1922, o Patriarca Latino de Jerusalém, Monsenhor Barlassina, retornou a Roma, e preparou uma preleção muito estimada na qual dizia o que se segue:

« …A intenção do Sionismo é a conquista da Palestina. Em vista de chegar aos seus fins, os sionistas apelam a quaisquer meios. Protegidos pelas autoridades britânicas, eles são, em verdade, os mestres da Palestina, criam as leis e impõem sua vontade a toda a população. Os católicos, os muçulmanos, e mesmo os israelitas ortodoxos são submetidos a incontáveis aflições. …eles têm a sua disposição grandes somas de dinheiro enviadas pelas organizações sionistas… principalmente por aquelas dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha. Com esse dinheiro, eles compram as terras dos pobres muçulmanos arruinados pela guerra; fundam escolas e às vezes corrompem a consciência moral…. Como os relatos fundados o provam, a intenção dos sionistas é de expropriar pouco a pouco os árabes e os cristãos… Para adicionar o nome de seus correligionários, eles organizam a imigração à Palestina de judeus russos, quase todos bolcheviques. Não menos fatal é a obra de imoralidade dos sionistas; desde que eles se tornem os mestres da Palestina, ela é terrivelmente expandida naquela Terra, banhada pelo sangue de Jesus Cristo. Os bordéis são abertos em Jerusalém, Haïfa, Nazaré… as mulheres de vida depravada pululam por toda parte, e desgraçadas doenças se pulverizam. Hoje, qual é a condição dos católicos na Palestina? Subversivamente, mas sistematicamente, os sionistas os afligem com todos os tormentos possíveis. » Civilta Cattolica, vol. 2, 1922, pp. 461-462.

Após a Segunda Guerra Mundial, quando não se assistia a uma instalação massiva de judeus na Palestina nas condições escandalosas à consideração das populações locais, o novo papa Pio XII não ajustou menos de sete intervenções nas encíclicas, discursos e mensagens sobre a questão de Jerusalém, sublinhando que os « Lugares Santos deviam ser preservados, que os fiéis deviam neles ter livre acesso sem perigo, e que os cristãos tinham o direito de exercer um controle absoluto sobre seus lugares de prece. » (Auspicia Quaedam, 1 mai 1948)

Sempre em « Auspicia Quaedam », Pio XII fazia esse apelo : « Façamos de forma que a religião, defensora de todas as virtudes, possa gozar da liberdade que lhe é devida. E façamos de forma que o trabalho pacífico dos homens – posto sob os auspícios da justiça e do desejo divino da caridade – produza abundantes frutos para o bem de todos ». Depois, fazendo referência aos Lugares Santos, o Papa apelava a rezar a fim de que « a situação na Palestina pudesse enfim ser resolvida na justiça, e que a paz e a concórdia pudessem enfim triunfar ».

Subseqüentemente, em sua Encíclica « Redemptoris nostri », na data de 15 de abril de 1949, Pio XII convidava novamente cada um, e em primeiro lugar os católicos do mundo inteiro, a se engajarem em « persuadir os governantes das nações, e aqueles cujo dever é regulamentar esta importante questão, a garantir à Cidade Santa e à região próxima um status jurídico apropriado, dentro das quais a estabilidade não possa ser assegurada senão por um acordo mútuo entre as nações que amam a paz e respeita os direitos dos outros. »
Isso tinha por meta, sobretudo, negar aos sionistas sua pretensão à autoridade sobre os Lugares Santos, e pleitear em favor da internacionalização de Jerusalém.

Observemos a Igreja anterior ao Vaticano II em sua sabedoria, malgrado as garantias que Theodor Herzl oferecera ao São Pio X quanto ao estatuto dos Lugares Santos, objetaria sempre o famoso « non possumus » como resposta católica tradicional em sua atitude face ao sionismo e ao Estado de Israel; uma atitude antissionista fundada sobre a recusa teológica durável de um retorno dos judeus sobre sua terra ancestral obtida sem o concurso da Providência Divina, mas pela utilização de meios inaceitáveis e de métodos em completa contradição com as leis de Deus, cujas terríveis conseqüências não cessam de produzir frutos perversos os quais uma constante atualidade nos mostra os efeitos terríveis.

Notas:

[1] Lembremos que a posição de hostilidade da Igreja a respeito da pretensão à possessão dos lugares santos pelos sionistas, participa de uma compreensão generosa da história santa e do povo judeu, muito mais complexa que alguns, em sua ingenuidade, não o imaginam. Com efeito, nela havia em realidade dois reinos dos Judeus da Antigüidade: aquele de Jacó (Israel) e o outro de Judá. De acordo com o oráculo de Jacó no livro de Genesis, o cetro da autoridade não devia em qualquer caso ser retirado de Judá, até que viesse aquele que fosse considerado como « a espera das nações », quer dizer, o Messias. De fato, o reino de Judá teve sempre a primazia sobre aquele de Israel, e, ao mesmo tempo, o que é paradoxal, a independência de Judá não existiu verdadeiramente senão, durante um curto período de oitenta anos, de 142 à 63 A.C., entre o fim da dominação selêucida e o começo da dominação romana. Assim, quando os judeus foram apelar a Pompeu em 66 A.C., eles declararam que não desejam ter rei. Dessa forma se realizava a profecia, porque Jesus Cristo veio justamente depois que o cetro fora removido de Judá. Compreende-se que a profecia como Santo Agostinho a expõe claramente na Cidade de Deus foi igualmente realizada em todos os pontos, significando concretamente que havia reis em Judá antes da vinda do Messias, mas que desapareceram definitivamente após sua vinda. A profecia foi realizada de modo muito impressionante, porque os judeus não tiveram verdadeiramente reis durante oitenta anos (todos não sendo alhures judeus). Assim, após a dominação dos babilônios, depois dos persas, dos gregos, e, enfim dos selêucidas, os judeus tiveram reis o suficiente para que a profecia se realizasse. Após a morte de Jesus Cristo os judeus se mataram numa guerra atroz. Vespasiano proclamado imperador pelas legiões em Alexandria, enviou seu filho Tito na Judéia, e o exército romano, em 70, arrasou inteiramente a cidade, não deixando ali senão três torres e um muro. O templo foi inteiramente destruído e o sacrifício cessaria definitivamente. Essa destruição da cidade santa foi um choque sem precedentes desde o exílio de 587 A.C., e marca o fim do reino de Judá que cessou de ter sentido desde a vinda do Cristo, dirigindo as criminosas veleidades sionistas, nas quais uma constante atualidade revela obstinação, a uma efetiva impiedade do ponto de vista profético.

[2] Theodor Herzl, que reencontrou São Pio X, multiplicou os contatos com os chefes de Estado, o sultão Habdul-Hamid III, o imperador Guilherme II e o ministro britânico Joseph Chamberlain. Em 1903, este lhe ofereceu a idéia de instalar o Estado Judeu na África, sobre o território de Uganda, então possessão britânica. Theodor Herzl, absolutamente insensível ao componente religioso do sionismo e temeroso de jamais ganhar a causa da Palestina, se agarrará sem tardar a essa oferta. Ele seria seguido por Eliezer Ben Yéhouda, o criador do hebreu moderno, e pelo movimento religioso ultranacionalista Mizrahi. Ele reúne então em agosto de 1903 o 6° Congresso sionista e anuncia aos delegados: « Eu tenho uma grande surpresa para vocês: Sua Majestade, o soberano do império britânico, vos oferece um presente: Uganda! »

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