O imperador e o ônibus

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Durante sua segunda grande viagem ao redor do Mundo, entre Abril de 1876 e Setembro do ano seguinte, o Imperador Dom Pedro II visitou novamente a França, no início do ano de 1877. Nesta época em Paris havia uma espécie de carruagem para o transporte público urbano, popularmente chamada de “impériale”. Em visita ao famoso escritor Victor Hugo, um republicano, este descreveu como era seu dia-a-dia ao Imperador do Brasil:

– “Depois do almoço, por volta de uma hora da tarde, eu saio, e faço uma coisa que Vossa Majestade não poderia fazer: subo num ônibus.”

Neste tom de conversa informal entre os dois colegas, Dom Pedro respondeu com um trocadilho:

– “Por que não!? Essa condução me conviria perfeitamente. Ele não se chama “Impériale”!?”

Quando se despedia de seu novo amigo republicano, Dom Pedro II ouviu deles estas palavras:

– “Felizmente não temos na Europa um monarca como Vossa Majestade.”
– “Por quê?”
– “Se houvesse, não existiria um só republicano…”

Seus descendentes seguiram o exemplo da utilização de transporte público, na época uma novidade, hoje uma alternativa necessária ao caos do tráfego urbano.

O saudoso Príncipe Dom Pedro Luiz, falecido prematuramente no fatídico acidente da AirFrance em 2009 e na época quarto na Linha de Sucessão ao Trono, afirmou em entrevista à revista “Veja” que não tinha carro por uma questão de economia e se locomovia de ônibus pelo Rio de Janeiro. Já a Princesa Chantal de Orléans, filha do Conde de Paris, o Chefe da Casa Real Francesa, e da Princesa Dona Isabel de Orléans e Bragança do Ramo não-dinástico de Petrópolis, trineta de Dom Pedro II, afirmou em entrevista à revista “Aventuras na História” que chegou à entrevista de metrô devido a sua praticidade e que havia começado a andar sozinha de ônibus aos 11 anos e, de trem, aos 13.

Baseado em texto do livro “Revivendo o Brasil-Império”
Imagem: Dom Pedro II, Alberto Hensche, 1875

Dom Pedro II, o bom hóspede

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O Imperador Dom Pedro II realizou durante seu reinado de pouco mais de 58 anos uma série de viagens pelo interior e cantões do Império do Brasil, tendo estado, em 1845, nas Províncias de São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, em 1847, no interior Fluminense, entre 1859 e 1860, no Nordeste, visitando as Províncias de Espírito Santo, Bahia, Sergipe, Pernambuco e Paraíba, no ano seguinte em Poços de Caldas e 1865 em Juiz de Fora, fora a Guerra do Paraguai onde esteve no front.

Em uma destas viagens, conta-se que o Imperador esteve em uma área onde não havia estalagens, no interior do país, um lugar um tanto quanto remoto, por isso hospedou-se na casa um homem bom da região, muito conhecido e estimado, porém cujos negócios iam mal, devendo ele uma grande quantia, porém impossibilitado de pagar.

Dom Pedro II foi informado por uma pessoa desconhecida do proprietário da casa da situação em que se encontrava o bom senhor, possivelmente por um habitante da região ou por alguém de seu próprio séquito. Quando o Imperador partiu, em um gesto de gratidão ao amigável senhor que o hospedou, deixou numa gaveta da cômoda do quarto que ocupara o recibo devidamente quitado e assinado pelo credor.

Ao se despedir, avisou:
– O senhor se esqueceu de trancar um papel importante que eu vi na gaveta da mesa do meu quarto. Cuidado para não perdê-lo.

Baseado em texto do livro “Revivendo Brasil-Império”

Imagem: Foto de Dom Pedro II do Brasil, Revert Henrique Klumb, 1861.